GRUPO: “BORBOLETAS COLORIDAS
Participantes:
Giumaura Oliveira de Moura
Raimunda Nonata do Nascimento
Valdenir Da Costa Lima De Abreu
ESTUDO DE CASO
CASO DE PABLO
“O verdadeiro papel da escola é ensinar a voar, não cortar as asas.” ( Dimenstein)
Etapa 1 - Apresentação do problema
Pablo apresenta deficiência física, pois nasceu com paralisia cerebral provavelmente originado durante o parto, ou problemas congênitos. Ele tem 14 anos e nunca frequentou a escola regular, porque não encontrou ainda uma escola verdadeiramente inclusiva que o acolha como rege a Constituição Federal de 1988 que garante uma “Educação para todos”. O Pablo necessita de um cuidador na sala de aula. Pablo mora com o pai e a mãe em uma casa simples, pois faz parte de uma família de baixa renda. O pai é lavrador e trabalha às vezes como ajudante de pedreiro. Ele se encontra em estágio inicial (nível pré-silábico, ou seja nas garatujas) do desenvolvimento da linguagem escrita. Nas atividades de leitura ele tem dificuldade na fala, ele balbucia alguns sons, que sua mãe, que é extremamente dedicada a ele, entende quase tudo que ele se propõe a falar. Ele tem um grande interesse pela linguagem e gosta muito de realizar atividades escrita e oral. Ele é muito curioso e inteligente é como se ele tivesse uma mente que não cabe dentro do corpo.
Pablo fez durante muito tempo acompanhamento no CIES e no CEIR e embora não tenha acompanhado de perto este tratamento percebe-se o quanto foi importante para o desenvolvimento psíquico, social, motor e afetivo. Hoje ele consegue dar três passadas sozinho, tem muita concentração no que vai fazer. Ele gosta muito de pintar, gosta de jogos de montar e de empilhar, que embora tenha dificuldade realiza a atividade até o fim.
Do ponto de vista motor, ele apresenta muita dificuldade em sua marcha e, ao andar, consegue flexionar os joelhos, mas não tem firmeza para carregar o corpo. Não tem motricidade grossa, apresenta grande dificuldade gráfica no traçado das letras e no desenho. Na escrita só consegue fazer garatujas e com ajuda de outros.
Pablo apresenta uma linguagem oral quase imperceptível para quem não convive diariamente com ele. Ele se relaciona bem com as pessoas, gosta de sorrir e conversar. Adora quando lhe dão atenção exclusiva, talvez por necessitar que olhem para ele para que entendam a sua linguagem própria.
Etapa 2 - Esclarecimento do problema
Para estudar o caso de Pablo é preciso que o professor do AEE percorra alguns caminhos na busca da identificação do problema, na busca de melhor atendê-lo e ajudá-lo a superar suas dificuldades, não querendo dizer que iremos conseguir superar todas elas da forma que desejamos, mas certamente se ele tiver uma educação de qualidade irá surpreender muitas pessoas que ainda acreditam que deficiência é doença e não uma condição diferente de viver. Para se obter resposta é preciso investigar partindo da própria família, uma vez que ele nunca estudou na sala regular de ensino. Contudo há dois anos frequenta a Sala de Recursos Multifuncional – AEE. Dessa forma pode conversar também com o grupo gestor da escola no intuito de compreender os aspectos que Pablo apresenta e a partir dessa investigação identificar quais são as fraquezas e as habilidades, para assim, traçar um projeto na busca de melhoria no ensino aprendizagem desse aluno.
É indispensável, antes de planejar um projeto para Pablo esclarecer alguns aspectos de estrema importância para que este seja feito de forma significativa para o desenvolvimento da aprendizagem dele:
• O que Pablo traz das suas experiências de vida?
• Qual é o grau de sua dificuldade motora?
• Será necessário o uso de instrumentos ou recursos para auxiliá-lo na sua expressão gráfica?
• Como ele interage na sala de aula com os colegas e professores?
• É necessário parceria de um neurologista, e um fisioterapeuta?
• Pablo tem acompanhamento médico especialista?
• Que recursos podem ser usados na prática pedagógica para melhorar a concentração e expressão oral e gráfica?
• Como ele representa a língua escrita em sua palavras escritas que para nós ainda não apresenta muito significado, mas certamente para ele tem um significado específico, ou não?
• Quais atividades o deixam mais satisfeito e empolgado?
• A escola dispõe de metodologias que abarcam os interesses dele?
• Que recursos podem ser adquiridos ou construídos para ampliar a aprendizagem de Pablo?
• Como fazer para atender o Pablo na sala regular de ensino como garante a Lei? É necessário articular com ministério público ou o poder público municipal está disposto a atendê-lo adequadamente?
Na busca de saciar nossas angustias e questionamentos, a professora foi dialogar com os segmentos que estão em contato direto com Roberto que são: o grupo gestor da escola em que frequenta o AEE e a família.
Encontro com o grupo gestor
Segundo o grupo gestor Pablo vem à escola desde 2011, mas falta muito, pois não tem transporte escolar adaptado e quem o traz de motocicleta é o pai, assim quando ele está trabalhando ele não tem como ele vir. Ele é um garoto muito simpático e alegre percebe-se que ele se sente muito feliz ao chegar na escola, e gosta de participar de todas as atividades propostas mesmo aquelas que lhe oferece maior dificuldades em participar. É como se para ele nada fosse impossível. Nas festividades escolares gosta muito de dançar. Ele se relaciona muito bem com todas as crianças e embora, seja uma escola que só estuda crianças, eles interagem muito bem. É necessário, segundo o grupo gestor, que o gestor municipal providencie um cuidador para que Pablo possa ser bem atendido adequadamente na sala regular, uma vez que ele não fala, não anda e gosta de muita atenção.
Encontro com a família
A professora do AEE realizou uma entrevista com a mãe de Pablo e descobriu que ele nasceu de parto normal e que desde a hora do nascimento ele chorava muito, os médicos porém nada fizeram e m casa continuou com o mesmo problema do choro, como não tinha condições de ir a Teresina procurou uma resadeira e passou vários dias neste processo.
Pablo nunca teve um desenvolvimento normal, nunca caminhou nunca falou e com o passar dos meses percebeu-se que ele tinha realmente um problema grave.
Depois de muito tempo aos 8 anos de idade sua mãe o levou para São Paulo para a casa de uma irmã onde começou o tratamento com um especialista, o medico pediu que ela passasse um ano, mas ela só ficou seis meses. Depois de algum tempo começou o tratamento no CEIR e CEID que também contribuiu muito para o desenvolvimento de Pablo. O tratamento já encerrou.
Segundo a mãe nunca se separaram por nem um dia, ele é muito apegado a ela, gosta de assistir televisão até tarde, adora ir festas, dançar, ouvir música e fazer amizade. A mãe às vezes se preocupa com esta ligação tão forte, pois tem medo de isso prejudicá-lo se um dia tiver que se separar por algum motivo superior.
Pablo, segundo a mãe, é muito curioso e inteligente seu sonho é estudar na escola regular, gosta de fazer as atividades de casa que a professora da sala de recursos passa para ele, já que não frequenta ainda a sala regular. “ a professora está lutando pela inclusão dele na sala regular”.
O pai de Pablo ajuda, mas tem que trabalhar, gosta de uma bebidinha e pescar e por isso muitas vezes os dois ficam sós. Pablo adora o pai.
Segundo a mãe,às vezes ele fica valente quando ela não dar o que ele pede, e, às vezes, a machuca.
Avaliações na sala de recursos multifuncionais
A professora do AEE avaliou as concepções de Pablo sobre leitura e escrita, sua habilidade psicomotora, desenvolvimento da oralidade e afetividade.
A avaliação da escrita revelou que Pablo encontrava-se no nível pré-silábico com apenas garatujas e ainda com muita dificuldade, já que ele não possui ainda coordenação motora grossa.
A leitura de Pablo acontece com gestos positivos ou negativos feitos com a cabeça e com balbucio, o “nãââo...” e “ééé...” “Tiiiiiiiia..”
Trabalham com jogos de memória (é o preferido de Pablo), simulação de supermercado, para tentar fazê-lo reconhecer nossa moeda, pintura com os dedos, ábaco,jogos de empilhar objetos, atividades no computador, dança, alfabeto móvel.
Na avaliação do desenvolvimento da leitura visual Pablo consegue sequenciar uma história considerando as imagens. Em situações de leitura percebe-se que ele reconhece a primeira letra do seu nome e algumas letras do alfabeto, reconhece as cores e já conta até dez usando recursos para identificar esta leitura. Para avaliar sua motricidade, a professora do AEE propôs atividades de desenho e de produção de escrita espontânea. Roberto não possui motricidade grossa, é necessário muitas tecnologias assistivas para melhorar o seu desempenho, como engrossador de lápis feito de EVA, entre outro que o próprio professor vai criando em sala de aula.
Pablo fica muito zangado quando interpela alguém e não lhe dá atenção e resposta rapidamente.
A memória de Pablo guarda um repertório organizado de ideias e se lembra muitas coisas que se ensina, ou seja, sua memória é de longo prazo.
Etapa 3 - Identificação da natureza do problema
Após a coleta de todas as informações, com base no acompanhamento da professora do AEE identifica-se que a situação do aluno e do ambiente com o qual ele interage, percebe-se que a mãe é maravilhosa e faz tudo que está ao seu alcance para que o filho tenha uma vida melhor, já a escola regular não quer incluí-lo realmente, existe apenas uma camuflagem de inclusão, pois ao receber este aluno só vai para o AEE e não está na sala regular, já está tratando-o de forma preconceituosa e exclusiva.
Este procedimento permitiu-nos constatar que Pablo não tem problemas relacionados ao seu desenvolvimento intelectual, mas apresenta muitas dificuldades motoras e na linguagem e assim é tratado com indiferença na escola. No entanto, gosta de participar de atividades lúdicas principalmente jogos de memória, atividades de pintura e de empilhar.
Pablo não apresenta problemas afetivos com o meio em que vive, mas é sincero e gosta de escolher seus educadores, quando começa fazer uma atividade quer ir até o fim mesmo que seja chamado para o lanhe.
Um outro fator que pode contribuir para o não desenvolvimento de Pablo é que ele nunca foi para a escola regular e assim tem prejudicado muito o seu desenvolvimento psíquico-sócio-motor, e sem o cuidador acompanhando na sala, será mais uma vez uma forma de exclusão, pois o professor não tem como acompanhar passo a passo suas ações diárias que por si só já são difíceis de conseguir êxito. É preciso ressaltar ainda que a Lei Magna da educação brasileira garante este acesso, permanência e sucesso na escola a todas as pessoas respeitando a especificidade de cada aluno.
A avaliação dos conceitos matemáticos revelou que ele apresenta um bom desenvolvimento como citei antes. Ele está no início da construção da ideia de número e de associação.
Em sala de aula, Pablo demonstra atitude de dependência da ajuda externa para resolver o que lhe é proposto como atividade, e como só estuda no AEE, tem esta ajuda sempre que necessita.
Percebemos também a partir desta pesquisa que os professores não perceberam que ele é um aluno como todo aluno, pois todos somos iguais nas nossas diferenças e que ele precisa urgentemente garantir este lugar na sala de aula e consequentemente nas atividades curriculares.
A saúde de Pablo é fragilizada, está sempre gripando e este é um outro fator que atrapalha o seu desempenho.
Etapa 4 - Resolução do problema
É possível supor que a natureza do problema de Pablo é de ordem motora, causada pela a própria deficiência.
A evolução conceitual do aluno interfere na interpretação que ele faz da língua escrita e leitura visual e gestual.
A partir das informações coletadas percebe-se uma necessidade urgente nas práticas pedagógicas na sala de aula e é preciso antes de tudo que os professores acreditem que ele pode se desenvolver e superar seus obstáculos e para isso é preciso que a sala regular e sala de AEE desenvolvam atividades juntas, nessa busca constante de superação, pois toda criança é capaz, contudo, é preciso entender que cada uma tem seu tempo.
Para esta parceria entre sala de AEE e sala regular poderemos sugerir algumas atividades, só para iniciarmos este processo, pois no decorrer da experiência muitas ideias vão surgindo:
• Mensalmente devem se encontrar para elaborar e reelaborar as atividades que pretendem realizar na sala de aula;
• Seria muito bom também desenvolver um projeto de jogos lúdicos em que toda semana troca as equipes para que todos trabalhem com todos, desenvolvendo o entendimento que o importante é participar;
• Brincadeiras como bola ajuda muito na coordenação motora, e o engrossador lápis é bastante útil para desenvolver a motricidade fina;
• Simulação da vida do cotidiano como preparação de alimentos e já aproveita para produzir um texto, oral ou escrito, realizar cálculos matemáticos entre outras disciplinas que podem estar sendo trabalhada nesta atividade;
• Outra atividade que é muito boa é a simulação do supermercado em que além de trabalhar as cédulas da nossa moeda pode também trabalhar a leitura e produção textual e reconhecimento das letras iniciais dos produtos. Trabalhar frutas mostrando a sua importância para a saúde, etc.
• É preciso interpelar com Pablo nas aulas teóricas para que ele se sinta parte do processo do ensino aprendizagem, mesmo que a professora de início não consiga compreender o que ele fala.
• As aulas da sala de recursos podem está desenvolvendo projeto que envolva toda a escola;
São muitas as ideias e com o tempo outras e outras atividades vão surgindo para ampliar o repertório de Pablo.
Bibliografia
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996.