Atendimento Educacional Especializado em Construção PS
Sabemos que a nova política de
educação no Brasil vem tecendo fios direcionais que possibilitam superar uma
visão centrada de homem, sociedade, cultura e linguagem de forma fragmentária,
certamente, não só neste momento histórico como um modismo, mas que se
consolidará numa perspectiva de inclusão de todos, com especial destaque para
as pessoas com deficiência. Acreditarmos na nova Política Nacional de Educação
Especial, numa perspectiva inclusiva. Enfim,
refutamos propostas que estão na contramão da perspectiva inclusiva, por provocar
dicotomizações que separam as pessoas com surdez das pessoas ouvintes,
negligenciando o potencial e a capacidade notórias e visíveis que elas possuem;
e rompemos com o embate gestualistas e oralistas, pois ele
prejudica o desenvolvimento dessas pessoas na instituição escolar, quando
canaliza a atenção dos profissionais da escola para o problema de língua em si. Nossa intenção é interpretar a pessoa com surdez, à luz do pensamento
pós-moderno, como ser humano descentrado, por acreditar no corpo biológico, não
em sua parte com a deficiência, mas nas outras, que dão à pessoa potencialidade;
além de considerar que esse ser não é no todo surdo, mas há uma parte com surdez,
que neurobiologicamente, o limita, mas que, em contrapartida, o possibilita e
potencializa ao desenvolvimento dos processos neurossensorial-perceptivos.
O AEE PS, na perspectiva inclusiva,
estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial
e das capacidades desse ser humano, vislumbrando o seu pleno desenvolvimento e
aprendizagem. As diferenças desses alunos serão respeitadas, considerando a
obrigatoriedade dos dispositivos legais, que determinam o direito de uma
educação bilíngüe, em que
Libras e Língua Portuguesa escrita constituam línguas de
instrução no desenvolvimento de todo o processo educativo.
O AEE PS deve ser visto
como construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que
a organização do conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear,
hierarquizada e fragmentada do conhecimento. O conhecimento precisa ser
compreendido como uma teia de relações, na qual as informações se processem
como instrumento de interlocução e de diálogo. Pensamos no AEE PS, na
perspectiva de que tudo se liga a tudo e que o ato de um professor transformar
sua prática pedagógica, conectando teoria e prática, a sala de aula comum e o
AEE, numa visão complementar, sustenta-se a base do fazer pedagógico desse atendimento.
Assim apresentamos de forma
didática o trabalho do AEE PS, segundo Damázio (2005:69-123), envolvendo os três
momentos didático-pedagógicos, que são:
·
Atendimento Educacional Especializado EM LIBRAS;
·
Atendimento
Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA
·
Atendimento Educacional Especializado para o
ensino DE LIBRAS;
O Atendimento Educacional
Especializado em Libras - AEE em Libras
Esse atendimento
do AEE em Libras ocorre diariamente, em horário contrário aos das salas de aula comum. Nesse atendimento, o professor
acompanha o plano de conteúdo oficial da escola de acordo com a série ou ciclo
que o aluno está cursando.
Atendimento Educacional
Especializado para o ensino da Língua Portuguesa - Escrita
A proposta didático-pedagógica e
metodológica para se ensinar português escrito (doravante PE) para a pessoa com
surdez, defendemos para o AEE para o ensino do PE, quanto ao ato de ler,
escrever e aprender a gramática de uso pelas pessoas com surdez.
O Atendimento Educacional Especializado
para o ensino DE LIBRAS
Este
atendimento constitui um momento didático-pedagógico para os alunos com surdez
incluídos na escola comum. O atendimento inicia-se com o diagnóstico do aluno e
ocorre de acordo com a necessidade, em horário contrário aos das aulas, na sala
de aula comum.
Referências
Bibliográficas:
DAMÁZIO.Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de Pessoa com
Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade Estadual de
Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado.
